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originally posted by iosonoundubitatoreincurabile
Source: iosonoundubitatoreincurabile

Decidi que não mais escrevo por não possuir, no meu reles vocabulário, palavras capazes de explicar minha tristeza e por me faltar argumentos e ilustrações pra verbalizar meus sentimentos. (E por perceber que meus textos não fazem diferença nenhuma, nem acrescentam nada na vida das pessoas.)
Isso acaba aqui, portanto.
Saturday Apr 09 @ 12:43amtags: feridas esquizofrenias | 2 notes
Fui levada até a casa abandonada que ficava no final daquela rua. Havia mato e heras no quintal; o que provavelmente, fora um jardim, agora estava em ruínas. Completamente descuidado e com um cheiro terrível de barro e fossa. Um caramujo deixava seu rastro na grade do portão, lento e repugnante.
Do lado de dentro, era tudo muito antigo: desde a arquitetura até os poucos móveis perdidos em uma ou duas paredes da ampla sala de visitas. Não havia muitos cômodos, talvez quatro. Não me lembro de ter visto janelas, estava tudo muito escuro, e a claridade que entrava, vinha da porta aberta por onde entramos.
A mulher que me mostrava a casa se colocou no meio da sala suja e uma música instrumental começou a tocar de um vinil - que até então, eu nem tinha notado. Ela ficou parada, com o olhar melancólico, olhando para o nada. Eu apenas olhei pra ela, sem entender muito bem o que estava acontecendo, mas respeitei a dor que se escancarava nítida na sua face. Dava pra sentir a nostalgia escorrendo de suas pálpebras e desenhando na sobrancelha, o que eu deduzi ser a saudade.
Então ela fechou os olhos por um único momento. E aquele piscar de olhos funcionou como um sinal para dar início às mudanças que se sucederam no ambiente. Dava pra ver a umidade pingar, gota a gota das frestas dos azulejos e das rachaduras das paredes encardidas de terra.
Abriu os olhos. Gota pós gota, a umidade começou a tomar grande proporção - vazava, agora, aos jatos - suficiente pra deixar os poucos móveis existentes ali, submersos. A sujeira continuou espelhando-se pelos cômodos da casa. Apertou as pálpebras com mais força, o que me lembrou o ato de torcer um pano molhado: muitas lágrimas escorreram pelas bochechas, boca, pescoço, peito.
Engraçado o fato de um pano absorver tanta água e nossos olhos suportarem tanta lágrima. Mais engraçado ainda, é que a gente não acredita que toda aquela água - ou lágrima - saiu de um simples pedaço de tecido. Mas é sempre assim: uma hora alguém te torce.
Resolvi deixá-la sozinha; sai pela porta, fechei-a, caminhei pelo meio da rua. Sem sol, sem nuvens, sem rumo, sem nada. E conforme eu me afastava, a música perdia o volume gradativamente, até cessar. O que eu não sabia, é que tudo isso era apenas um abrir de olhos.
Sunday Mar 13 @ 09:23pmtags: hurt textos music water tears | 1 note
Querido eu lírico,
Meu coração está em brasas, há muito tempo. Queimando vazio. Ninguém pode mudar isso, e hoje eu percebi que nem eu mesma poderei mudar. É tarde agora.
Muita coisa começou a fazer sentido. De repente, tudo o que eu vivi, tudo o que vi, todos os “amigos”, desilusões, todos os livros que li, começam a se encaixar na minha vida, dando-me respostas à perguntas que eu julgava sem um porquê. E justamente essas respostas que eu temia ouvir um dia. Cheguei a uma conclusão que eu adiava e fingia não ver.
- Nada vai mudar.
Tentando me enganar? Talvez, sim, não. Talvez fosse só a esperança rotulada com uma felicidade falsificada.
Continuarei considerando você como sempre o considerei, uma das poucas, talvez a única pessoa, que conseguiu enxergar tanto sofrimento em palavras vagas, em olhares inexpressivos, em uma boca que atrofiou por não conseguir sorrir. Um sorriso que ficou preso pra sempre num arco triste com a cavidade pra baixo.
Obrigada por ser meu amigo e por me enxergar tão bem…
Não desapareça da minha vida, por favor, pois preciso de você.
Mais sua do que nunca,
Jéssica.
tags: cartas esquizofrenias | 1 note
Se as pessoas que me machucam diariamente - direta ou indiretamente - tivessem dimensão do tamanho das marcas que me ficam, e se essas pessoas pudessem sentir o quão forte é a dor que essas marcas emanam, dia pós dia, elas prestariam mais atenção, e quem sabe, não fariam nada sem antes pensar duas, três vezes.
Mas não pode ser assim. Eu também machuco as pessoas, e não deve ser coisa que se cure com um beijo e um bandaid. Queria sentir tudo sozinha, pra não ter que arranhar ninguém. Acho que assim as coisas poderiam ser melhores.
Friday Feb 25 @ 07:46pmtags: esquizofrenias

os detalhes e o incomum.